Podcasts – Recomendações da semana

Toda semana recomendações de episódios legais:

Inédita Pamonha #09 – Saindo da caverna

Podcast bem recente, lançado em Abril de 2020, criado apresentado pelo do jornalista e professor Clóvis de Barros Filho. O objetivo é desmistificar a Filosofia e os conceitos criados por pensadores clássicos e contemporâneos. Nesse episódio específico, Clóvis de Barros explica o Mito da Caverna.
Duração: 15 min

#17: Entretanto Especial com Isabela Kalil

Entrevista interessantíssima com a Dra. Isabela Kalil, antropóloga que pesquisa há muitos anos o perfil dos eleitores e militantes bolsonaristas. Ela explica porque Bolsonaro ainda consegue manter sua base, mesmo depois de tudo o que fez. E também apresenta possíveis desdobramentos.
Duração: 58 min

MidCast – Segue o Fio #63 – A ascensão da isca Jair Bolsonaro

Nesse episódio confira a thread do professor Marlos Ápyus, com narração do Pensador Louco. Uma análise em perspectiva sobre o momento em que Jair Bolsonaro virou um fenômeno eleitoral.
Duração: 9 min


CBN – ‘Não existe remédio fantástico que resolva tudo’

Comentário do Dr. Luis Fernando Correia na CBN sobre as tentativas de nomear curas ou tratamentos milagrosos para o Coronavírus. Agora a onda é Ivermectina, até mesmo farmacêuticos estão recomendando. Será que ajuda mesmo?
Duração: 9 min

Medo e Delírio em Brasília – De tanto tentar, Bolsonaro, enfim, conseguiu 

Episódio sensacional desse podcast informativo muito bem produzido e com humor ácido e inteligente. Recomendo esse para ouvir assim que lançam.
Nesse episódio: Bolsonaro com Covid; Colaboracionismo empresarial na ditadura; Major shit show no MEC; Guedes delirante; e Moro 2022
Duração: 39 min

Dos escombros da guerra patriótica

Estou escondido. Eles estão lá fora. Ouço explosões. Há comunistas em cada esquina. Não consigo mais dormir direito. Tudo está chegando ao fim e em breve a liberdade novamente será apenas um sonho.

A verdade não importa mais. Os comunistas dominaram a verdade e contarão a história do jeito que quiserem. Meu Capitão será lembrado como um ditador genocida qualquer.

Essa nação estava envolta no caos antes dele chegar. Ele tomou as rédeas, eleito democraticamente, porém nunca o deixaram governar e fazer o que tinha que ser feito: Finalmente trazer para o povo brasileiro a liberdade e a democracia.

O tempo todo infernizaram sua vida.

Quando a pandemia começou, ele tentou alertar sobre o perigo de pararmos com a economia através do absurdo isolamento horizontal numa tentativa vã de nos isolar do vírus. O Capitão foi massacrado pela extrema-mídia, que é toda comunista ultra-radical-intolerante e faz parte da conspiração globalista — como agora já deve ser de conhecimento geral.

O Capitão foi chamado de insano, despreparado e genocida.

Então ele fez ainda mais: Apresentou a cura! Um medicamento que diminuía consideravelmente os efeitos do vírus e que nos daria a chance de lutar para manter a economia viva, mesmo se contaminados.

Novamente, a extrema-mídia comunista tratou de desacreditá-lo e ridicularizá-lo. Logo “surgiram” estudos desconsiderando a cura. Meu Deus. Quantas vidas poderiam ter sido salvas se tivessem tratado os infectados desde o início! Como essa gente é assassina…

Criaram escândalos atrás de escândalos, mentiras, absurdos, fake news, a fim de desestruturar o Capitão e abalar a nossa fé em seu trabalho. Mas a gente já havia sido alertado de que isso poderia acontecer. Tínhamos nossa própria rede de informações confiáveis. E nossa fé se manteve inabalável depois de tudo.

Assim como o outro Messias, ele também foi traído. Várias e várias vezes. Quase todos ao seu redor estiveram secretamente conspirando junto aos comunistas para derrubá-lo. Até mesmo o juiz herói, que tanto protegemos, revelou sua verdadeira face e suas pretensões eleitorais.

Foram traições chocantes, mas foi algo bom, pois em pouco tempo pudemos ver até onde esse mal oculto se estendia. Até mesmo os outros Poderes estavam corrompidos. Somente nosso Capitão permanecia na causa da Justiça e da Liberdade. E TODOS estavam contra ele. Porém, ele não estava sozinho.

Não aguentamos ver nosso Capitão ser tão massacrado e, mesmo em meio a uma pandemia, fomos às ruas! Só isso já deveria bastar para mostrar ao mundo de que lado estava a Verdade. A voz do povo clamava pela verdade e pelo direito do nosso representante maior finalmente poder exercer suas funções.

Também começamos a ser atacados. A liberdade de expressão deixou de ser um direito. Os outros Poderes mostraram suas garras negras, e todos que apoiavam o Capitão passaram a ser perseguidos. Casas foram revistadas, inocentes foram presos, a Constituição rasgada e jogada no lixo.

Nossas fontes confiáveis repetiram mil vezes que tudo ficaria bem, que tudo era apenas uma estratégia — fingir o fracasso para em seguida contra-atacar. Muitos deles acabaram apagando seus canais e saindo do país. Era uma debandada. Em pouco tempo estávamos sozinhos, o povo e o Capitão.

Continuo escondido. A perseguição se acirrou. Não se pode mais pronunciar o nome do Capitão. Hoje amanheci ouvindo explosões perto. Muito perto. Estão festejando. Liguei na Globo-Lixo, pois foi o único canal que a ditadura comunista deixou impune.

Na tela estão vários engravatados sorrindo e pulando sob um placar.
Estão segurando cartazes com os dizeres em verde e amarelo:
“ACABOU, PORRA”.

Conto de Fadas Revoltante

Era uma vez uma princesa linda e solitária que passeava no bosque.
Um dia um príncipe encantado apareceu e deu um tapa na nuca dela.
Não satisfeito, ele deu um tiro na cabeça dela.
E ninguém veio no velório da princesa.
Ela teve de ressuscitar e se enterrar sozinha.
A cova que ela cavou era muito rasa. Depois do enterro o príncipe passou por cima com o cavalo. E acabou quebrando a tampa do caixão.
E o cavalo ainda acertou uma patada bem na cara da princesa.

Fim


Publicado no Recanto das Letras em 02/08/2010
Imagem ilustrativa: Foto de Jeronimo Gomes

A Lenda do Velho de Terno Marrom

Era uma vez um rapaz de terno azul (antes ele só usava azul) que ficou tarado por uma simples camponesa de nobre coração que ia todos os dias no bosque recolher lenha.

A desgramada usava um decotão enorme, pois como era muito simples e ingênua, ela não sabia que seus seios enormes e redondinhos causavam a tentação e a ruína dos homens.

É claro que ao ver aquela maravilha, o rapaz de terno azul não aguentou e caiu de boca nos melões da pobre camponesa…

O problema é que ela era “juntada” com um velho e maligno feiticeiro de 900 anos que, tarado pelos peitos dela, sempre lhe deu do bom e do melhor.
Até se.xo de qualidade ele dava a ela!
Ele usava 80% de sua magia para manter seu membro ereto. E às vezes mais 10% para gerar orgasmos múltiplos mágicos na simples camponesa.
Isso explica porque ela vivia com um velho asqueroso como ele.

O velho feiticeiro ficou sabendo do acontecido através das fofocas dos animais do bosque, que adoravam uma porradaria.
Ele ficou putaço e atirou uma terrível e eterna maldição sobre o pobre rapaz que, na mesma hora começou a cagar sem parar, como se tivesse um chafariz de merda em sua bunda. Foi amaldiçoado a cagar e a feder PARA SEMPRE.

Para disfarçar que vivia sempre cagado, o rapaz resolveu vestir sempre um TERNO MARROM.
Assim, ninguém perceberia que ele estava sempre sujo de merda, a não ser que chegassem muito perto dele e sentissem o fedor de revirar o estômago.

O rapaz envelheceu e como ninguém chegava perto dele, ele se tornou um eremita, vagando solitário pelo bosque, todo cagado.

Até hoje algumas pessoas juram ter visto e ter sentido o fedor de merda do infeliz Velho do Terno Marrom.

Fim.


Publicado no Recanto das Letras em 27/01/2011
Na verdade, foi publicado anteriormente como uma resposta a uma pergunta no saudoso Yahoo!Respostas, e deixou algumas pessoas bem putas porque estavam procurando a tal lenda, que aparentemente existe mesmo.

Amo o Frio

Devo ter sido, em outra vida, um guerreiro que lutou uma grande batalha no rigoroso inverno nórdico. E ao defender minha nação com bravura, devo ter tido minhas tripas quentes esparramadas na neve gelada e ficado intrigado, fascinado, maravilhado com minha última visão: a fumacinha subindo do encontro dos dois – calor e frio.

Mas em minha vida atual eu amo o frio pelo mesmo motivo que outras pessoas o amam sem admitir.

Amo quando o frio intenso me permite devorar a pele ressecada de meus lábios, deixando-os em carne viva.

Sinto prazer quando à noite, debaixo das cobertas e mesmo assim sentindo frio, solto minha flatulência que me esquenta momentaneamente. Sem o frio nunca poderia desfrutar desse calor sutil e fugaz que me diverte nas noites invernosas.

É somente em tempos de baixa temperatura que posso cometer o pecado da gula sem remorsos. Comer sem parar, sem pensar, feijoadas, macarronadas, polentas e parmegianas. Repetindo refeições. Porque ninguém irá notar a minha corpulência sob tantos agasalhos a me cobrir.

Não suo, não tomo banhos demasiados, não saio muito e por isso não gasto tanto. Aproveito mais minha casa, melhor ainda se acompanhado para esquentar delicados pezinhos friorentos.

É por isso, meus amigos, que não me importo de não admitirem abertamente seus deleites e de até reclamarem diante do menor arrepio.

Não existe clima melhor que este, que amo e fico feliz por saber que, no fim, será ele a minha única companhia, nos minutos derradeiros.

Até meus testículos se encolhem… em respeito ao frio.


Publicado no Recanto das Letras em 26/07/10.